Ataque israelense atinge única igreja católica de Gaza e deixa mortos e feridos; Papa pede cessar-fogo imediato
(OHF) – Um ataque militar israelense atingiu, nesta quinta-feira, 17, a Igreja da Sagrada Família — única igreja católica da Faixa de Gaza — deixando dois mortos e vários feridos, de acordo com o Patriarcado Latino de Jerusalém, responsável pelo templo.
Fiéis estavam reunidos no local no momento da explosão, que também causou danos significativos à estrutura da igreja, situada na Cidade de Gaza, na região central do território palestino.
O Vaticano informou que o templo foi “atingido diretamente” por um disparo de tanque de guerra.
“A Igreja da Sagrada Família em Gaza foi atingida nesta manhã por um bombardeio. (…) Rezamos para que suas almas [dos mortos] descansem em paz e pelo fim desta guerra bárbara. Nada pode justificar o ataque contra civis inocentes”, afirmou o Patriarcado em nota, apontando posteriormente para um “aparente ataque do Exército israelense”.
O papa Leão XIV condenou a ofensiva, expressando “profundo pesar” pelas mortes e renovando seu apelo por um cessar-fogo imediato na guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, em curso desde outubro de 2023.
Em comunicado, o pontífice “lamentou o ataque militar” e pediu o fim das hostilidades em Gaza.
O pároco argentino Gabriel Romanelli, ferido com pouca gravidade no ataque, também foi citado pelo Vaticano. Ele costumava manter o falecido papa Francisco informado sobre a situação na Faixa de Gaza.
Imagens divulgadas pela igreja mostram o impacto do bombardeio: o telhado foi atingido próximo à cruz principal, a fachada de pedra ficou chamuscada e diversas janelas foram destruídas.
A reportagem do Vatican News, intitulada “Forças de Israel atacam igreja católica em Gaza”, informou que quatro pessoas ficaram gravemente feridas, incluindo os dois mortos — um homem e uma mulher.
“O que sabemos com certeza é que um tanque — as Forças de Defesa de Israel (IDF) dizem que foi por engano, mas não temos certeza disso — atingiu diretamente a igreja”, declarou ao Vatican News o cardeal Pierbattista Pizzaballa, patriarca latino de Jerusalém.
Em nota, o Exército israelense afirmou que “nunca ataca locais religiosos” e que “faz todo o esforço possível para evitar danos a civis e a estruturas civis, incluindo locais religiosos, lamentando qualquer dano causado a eles”.
Segundo a agência católica SIR, a Igreja da Sagrada Família abrigava cerca de 500 cristãos deslocados pelos combates.
A primeira-ministra da Itália, a conservadora Giorgia Meloni, responsabilizou Israel pelo bombardeio e classificou como “inaceitáveis” os “ataques contra a população civil”.
