Lula analisa opções para reagir ao tarifaço dos EUA; bolsonaristas comemoram e agradecem ataques de Trump contra o Brasil

(OHF) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo avaliam quais medidas poderão ser adotadas em resposta ao tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A medida foi anunciada na quarta-feira, 9, pelo presidente americano Donald Trump, após uma ofensiva política liderada pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo jornalista Paulo Figueiredo, ambos empenhados em pressionar a Casa Branca contra o Brasil.

Entre as opções em estudo — ainda sem definição — estão a suspensão de direitos de propriedade intelectual dos EUA em território brasileiro, como royalties audiovisuais, patentes de medicamentos e sementes agrícolas.

Também está sendo considerada a taxação das remessas de lucros e dividendos por multinacionais americanas que operam no Brasil.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, elaborou um mapeamento detalhado das alternativas disponíveis e conduziu simulações para estimar os impactos de eventuais medidas retaliatórias.

A análise concluiu que algumas dessas ações, embora atinjam os interesses americanos, também poderiam gerar efeitos colaterais na economia brasileira, especialmente no setor industrial, com o encarecimento da produção nacional.

Além dessas possíveis medidas econômicas, o governo Lula pretende organizar reuniões com os setores mais impactados pelas novas tarifas, como o agronegócio e a indústria de base exportadora.

A proposta é construir, junto a empresários e trabalhadores afetados, uma “linha de proteção” para mitigar os prejuízos.

No Palácio do Planalto, a posição oficial é que Lula atuará para defender as empresas brasileiras e os empregos que elas geram. A iniciativa também é vista como uma oportunidade de aproximação com setores historicamente críticos ao governo petista.

Outra frente em avaliação prevê o engajamento direto dos ministros Fernando Haddad (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e do próprio Alckmin em negociações com o governo Trump.

Paralelamente, integrantes da administração federal cogitam acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC), sob o argumento de que as novas tarifas não têm embasamento técnico. Essa tese se apoia, inclusive, na carta enviada por Trump a Lula, em que o presidente americano sugere motivações políticas para a medida, relacionadas à tentativa de interferir no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Enquanto isso, a base bolsonarista celebrou abertamente os ataques ao Brasil. Eduardo Bolsonaro e aliados como os deputados Mário Frias (PL-SP), Julia Zanatta (PL-SC) e o ex-vereador de São Paulo Fernando Holiday (PL) convocaram seus seguidores nas redes sociais a agradecer a Trump pela imposição das tarifas.

Coloque o seu agradecimento ao Presidente Donald Trump abaixo e vamos rumo à Lei Magnitsky!”, publicou Eduardo na noite de quarta, na plataforma X (antigo Twitter).

A referência é à legislação americana aprovada em 2012, durante o governo de Barack Obama, que autoriza sanções contra estrangeiros acusados de corrupção ou de violar direitos humanos.

As penalidades incluem o congelamento de bens e contas nos EUA, além da proibição de entrada no país. Segundo bolsonaristas, os alvos preferenciais dessas sanções seriam o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A iniciativa de Eduardo Bolsonaro e seus aliados foi duramente criticada por setores governistas e por lideranças da direita moderada, que repudiaram o uso de articulações internacionais para prejudicar o Brasil e seu setor exportador.

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