Rússia se torna o primeiro país a reconhecer regime do Talibã no Afeganistão
(OHF) – O Ministério das Relações Exteriores da Rússia confirmou nesta quinta-feira, 3, que passará a reconhecer o regime liderado pelo Talibã como o governo legítimo do Afeganistão — tornando-se o primeiro país a oficializar essa medida.
Apesar das antigas divergências entre Moscou e o grupo fundamentalista, os dois lados vêm se aproximando nos últimos anos. A mudança se concretizou com o hasteamento da bandeira talibã na embaixada do Afeganistão em Moscou.
O representante especial da Rússia para o Afeganistão, Zamir Kabulov, confirmou o reconhecimento em declarações divulgadas pela agência RIA.
Em nota, a Chancelaria russa informou que recebeu, nesta quinta, as credenciais do novo embaixador afegão, Gul Hassan Hassan.
“Acreditamos que o ato de reconhecimento oficial do governo do Emirado Islâmico do Afeganistão contribuirá para o desenvolvimento de uma cooperação bilateral produtiva entre nossos países em diversas áreas”, diz o comunicado, publicado no site do ministério.
“Vemos perspectivas significativas de cooperação nas áreas comercial e econômica, com ênfase em projetos nas áreas de energia, transportes, agricultura e infraestrutura”, completa o texto.
O ministro afegão das Relações Exteriores, Amir Khan Muttaqi, comemorou o gesto de Moscou e classificou a decisão como “corajosa”.
“Esta decisão corajosa será um exemplo para outros (…) Agora que começou o processo de reconhecimento, a Rússia esteve à frente de todos”, disse Muttaqi em vídeo publicado na plataforma X.
Desde a retomada do poder pelo Talibã, em agosto de 2021, após a queda do governo apoiado pelo Ocidente, diversos países estabeleceram contatos diplomáticos com o grupo.
China, Emirados Árabes Unidos, Paquistão e a própria Rússia enviaram representantes a suas embaixadas em Cabul, mas sem reconhecer oficialmente o regime.
Até então, o reconhecimento formal era evitado, principalmente por causa das graves restrições impostas pelo Talibã às mulheres e a outros grupos perseguidos pelos fundamentalistas.
Desde o retorno ao poder, meninas foram proibidas de frequentar escolas e universidades, e mulheres afastadas de cargos públicos, de ONGs e da maior parte do setor privado — sendo praticamente excluídas da vida social e econômica do país.
