The Economist critica política externa do atual governo brasileiro e destaca impopularidade de Lula

(OHF) – A revista britânica The Economist publicou neste domingo, 29, um artigo com duras críticas à política externa do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e à perda de popularidade do presidente brasileiro em seu terceiro mandato.

O texto aponta uma guinada preocupante nas relações internacionais do país e traça um panorama do enfraquecimento de sua influência global.

Intitulado “Presidente do Brasil perde influência no exterior e é impopular em casa”, o artigo condena o posicionamento do governo ao criticar os ataques dos Estados Unidos a instalações nucleares no Irã — “em desacordo com todas as outras grandes democracias ocidentais” — e à crescente aproximação com Teerã, classificada como uma “amizade” com o regime do aiatolá Ali Khamenei.

Segundo a revista, a tendência deve se aprofundar nos dias 6 e 7 de julho, durante a cúpula do Brics, no Rio de Janeiro. O Irã, que passou a integrar o grupo em 2024, participará com uma delegação.

A Economist afirma que o Brics, atualmente sob presidência de Lula, deixou de ser uma plataforma de projeção global do Brasil e passou a associar o país a um bloco “cada vez mais hostil ao Ocidente”.

O cientista político Matias Spektor, da Fundação Getulio Vargas (FGV), reforça essa visão: “Quanto mais a China transforma o BRICS em instrumento de sua política externa, e quanto mais a Rússia o usa para legitimar sua guerra na Ucrânia, mais difícil será para o Brasil sustentar que é um país não alinhado”.

O distanciamento em relação aos EUA também é criticado. Desde que Donald Trump assumiu a presidência americana em janeiro, não houve encontros entre os dois chefes de Estado.

Não há registro de que os dois tenham se encontrado pessoalmente, tornando o Brasil a maior economia cujo líder não apertou a mão do presidente americano. Em vez disso, Lula corteja a China. Ele se encontrou com Xi Jinping duas vezes no ano passado”, observa a publicação.

A visita de Lula a Moscou, em maio, para a parada militar do Dia da Vitória, também foi alvo de críticas. O presidente foi o único líder de uma grande democracia a participar do evento.

Aproveitou a viagem para tentar convencer Putin de que o Brasil poderia mediar o fim da guerra na Ucrânia. Nem Putin nem ninguém lhe deu ouvidos”, ironiza a revista.

América do Sul

No plano regional, a Economist aponta contradições na diplomacia sul-americana de Lula. O petista se recusou a se encontrar com o presidente argentino Javier Milei por “diferenças ideológicas”, mas recebeu calorosamente o ditador venezuelano Nicolás Maduro em 2023.

A relação com Caracas só teria azedado, segundo o artigo, após uma nova fraude eleitoral por parte do regime venezuelano.

A publicação também acusa o presidente brasileiro de mostrar “relutância ou incapacidade” para liderar uma articulação regional contra medidas como as deportações em massa de migrantes e a guerra tarifária promovida por Trump.

Desgaste interno

Internamente, a Economist destaca o enfraquecimento da imagem de Lula e como isso impacta sua liderança global.

Hoje, muitos brasileiros associam o PT à corrupção”, afirma o texto, relembrando o escândalo que levou o presidente à prisão por mais de um ano — condenação posteriormente anulada.

O cenário contrasta com os dois primeiros mandatos de Lula, entre 2003 e 2010, quando o país se beneficiou do boom das commodities, e o presidente figurava entre os líderes mais populares do mundo. Agora, o Brasil vive uma realidade distinta.

O país se inclinou para a direita. Muitos brasileiros associam seu Partido dos Trabalhadores à corrupção. […] Hoje o cristianismo evangélico cresce, a informalidade domina a economia, e a direita também distribui benefícios”, resume a revista.

A recente derrota do governo Lula no Congresso Nacional, que derrubou o decreto de aumento do IOF, é vista como um marco dessa perda de controle político. Foi a primeira vez em mais de 30 anos que o Legislativo anulou um decreto do Executivo.

A aprovação pessoal de Lula gira em torno de 40%, a mais baixa entre seus três mandatos. Apenas 28% dos brasileiros dizem aprovar seu governo. Em 25 de junho, o Congresso o humilhou ao rejeitar um decreto que aumentaria impostos, reduzindo a margem fiscal para gastos antes das eleições gerais do próximo ano”, conclui a reportagem.

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