Acusado de usar armas químicas em guerra civil, governo do Sudão é alvo de novas sanções dos EUA
(OHF) – Os Estados Unidos impuseram novas sanções ao governo do Sudão, acusado de usar armas químicas contra combatentes paramilitares, conforme documentos oficiais divulgados na sexta-feira, 27.
Em comunicado, o Departamento de Estado informou que as medidas entram imediatamente em vigor, mas não afetam ajuda humanitária urgente nem a exportação de produtos agrícolas.
As sanções incluem a suspensão da venda de armas ao governo sudanês, a proibição de concessão de crédito e o bloqueio da exportação de tecnologia avançada ao país africano.
Embora as restrições ampliem a pressão diplomática sobre Cartum, seu impacto prático deve ser limitado, já que os dois principais líderes do conflito sudanês — Abdel Fatah al Burhan, comandante do Exército, e Mohamed Hamdan Daglo, chefe das Forças de Apoio Rápido (FAR) — já estão sujeitos a sanções anteriores impostas por Washington.
O Sudão vive uma guerra interna desde abril de 2023, quando uma disputa de poder entre Burhan e seu ex-subordinado, Daglo, mergulhou o país em um conflito devastador.
Segundo a ONU, o confronto causou dezenas de milhares de mortes e forçou o deslocamento de 13 milhões de pessoas, configurando o que as Nações Unidas chamam de “pior crise humanitária” da atualidade.
A acusação sobre o uso de armas químicas surgiu em maio, quando o Departamento de Estado dos EUA afirmou que o governo sudanês havia recorrido a esse tipo de armamento em 2024, sem especificar a data ou o local dos ataques. Na ocasião, o órgão exigiu que Cartum “pare de recorrer a elas”.
Relatos sobre o suposto uso dessas armas já haviam vindo à tona meses antes. Em janeiro, o jornal The New York Times noticiou que o Exército sudanês utilizou armamento químico em ao menos duas ocasiões contra as FAR — algo que o governo nega.
