Ataques dos EUA atrasaram programa nuclear do Irã por apenas alguns meses, indica avaliação inicial de inteligência

Instalação nuclear iraniana de Fordow após ataque dos EUA em 22 de junho de 2025 – Foto: Planet Labs PBC via AP

(OHF) – O ataque realizado pelos Estados Unidos no sábado, 21, contra três instalações nucleares do Irã — Fordow, Natanz e Isfahan — atrasou o programa atômico do país “em apenas alguns meses”, segundo avaliações preliminares da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), obtidas pelo The New York Times e pela rede CNN.

De acordo com o “relatório de danos de combate”, os bombardeios comprometeram severamente as estruturas acima do solo, selando as entradas de duas das três instalações. No entanto, não colapsaram as áreas subterrâneas onde estão localizados os principais componentes do programa nuclear iraniano.

As centrífugas, segundo uma fonte, permanecem praticamente intactas.

Embora a eletricidade e parte do maquinário tenham sido afetados, a estrutura física das instalações segue preservada. Para causar danos mais profundos e duradouros, seriam necessárias múltiplas rodadas de ataques, afirmaram autoridades militares dos Estados Unidos.

Antes da ofensiva, a inteligência americana estimava que, caso o Irã optasse por produzir uma arma nuclear, levaria cerca de três meses para construir um “artefato básico”.

Após os bombardeios, esse prazo foi ampliado para menos de seis meses — em parte porque Teerã conseguiu remover quase todo o estoque de urânio enriquecido antes da operação. Há suspeitas de que parte desse material tenha sido transferida para locais secretos, fora do alcance dos bombardeios.

A operação, batizada de “Martelo da Meia-Noite“, foi executada com o uso de bombardeiros B-2 Spirit — aeronaves furtivas de alta tecnologia avaliadas em cerca de US$ 2,1 bilhões cada.

Os aviões lançaram 14 bombas “bunker buster“, de 13 toneladas, projetadas para perfurar até 60 metros de concreto armado e atingir alvos subterrâneos fortemente protegidos.

Apesar do impacto limitado apontado pelas avaliações internas, o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que os ataques “destruíram completa e totalmente” as instalações nucleares do Irã. “Ficou claro que devastamos o programa nuclear iraniano”, afirmou.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, também declarou que “as ambições nucleares do Irã foram atingidas”.

Nos bastidores, porém, fontes militares e de inteligência reconhecem que, embora os danos tenham sido significativos, não foram suficientes para impedir que o Irã retome seu programa nuclear em curto prazo.

Autoridades destacam ainda que a análise completa dos danos segue em andamento e poderá ser atualizada conforme novas informações forem reunidas.

A Casa Branca, por meio da secretária de imprensa Karoline Leavitt, rejeitou as conclusões do relatório.

Todo mundo sabe o que acontece quando se lançam quatorze bombas de 13.600 kg perfeitamente sobre seus alvos: destruição total”, afirmou.

Ela ainda classificou a divulgação do documento como um “vazamento ultrassecreto” e acusou seus autores de tentarem “desacreditar o presidente Trump e os bravos pilotos que executaram a missão”.

Israel, que realizou ataques preparatórios contra as instalações nucleares do Irã nos dias que antecederam a ofensiva americana, teria solicitado o apoio dos Estados Unidos por não dispor de bombas antibunker com capacidade para concluir a missão.

Por enquanto, a avaliação predominante entre os analistas é que os americanos infligiram um revés técnico ao Irã, mas não conseguiram comprometer de forma definitiva o núcleo do programa nuclear do regime.

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