Bombardeiros dos EUA capazes de lançar superbomba contra alvos nucleares subterrâneos do Irã decolam rumo ao Pacífico
(OHF) — Seis bombardeiros furtivos B-2 dos Estados Unidos sobrevoaram o Oceano Pacífico neste sábado, 21, rumo à Base Naval de Guam, território americano estratégico no Indo-Pacífico.
As aeronaves são as únicas capazes de carregar as bombas GBU-57/B — conhecidas como “bunker busters”, com quase 14 toneladas — que, segundo Israel, teriam capacidade para destruir a instalação nuclear iraniana de Fordow.

A movimentação ocorre enquanto Washington avalia se vai se unir a Israel na guerra contra o regime do aiatolá Ali Khamenei.
Segundo o presidente Donald Trump, a decisão sobre uma possível intervenção militar americana pode ser tomada “em até duas semanas”. Na véspera, ele advertiu que Teerã teria “no máximo” esse prazo para evitar um ataque, por meio de um acordo.
Os B-2 decolaram da Base Aérea de Whiteman, no Missouri, e foram reabastecidos no ar — sinal de que transportavam carga pesada.
Guam, apesar de distante quase 11 mil km do Irã, pode servir como ponto de apoio logístico. “Teoricamente, poderia ser uma primeira escala para ir a Diego Garcia, no Índico”, afirmou o coronel da reserva Paulo Filho ao jornal O Globo.
Ele lembrou que outros seis B-2 estavam nessa base há cerca de dois meses, a 3.800 km do Irã.
“Eles [os americanos] também podem decolar de Guam, serem reabastecidos no ar e bombardear o Irã. Na verdade, poderiam fazer isso a partir dos EUA mesmo, mas sair de Diego Garcia facilitaria muito. Foi o que fizeram nas guerras do Golfo”, completou.
Além dos bombardeiros, os EUA enviaram cerca de 30 aviões-tanque para a região e anunciaram o envio do porta-aviões USS Gerald R. Ford ao leste do Mediterrâneo, onde se somará ao USS Nimitz e ao USS Carl Vinson.
Com até 90 aeronaves e cerca de 4.600 militares, esses navios são usados para projetar poder e responder a crises globais, sempre acompanhados por embarcações de escolta capazes de enfrentar ameaças aéreas, navais e submarinas.
Trump deve retornar à Casa Branca neste sábado para uma “Reunião de Segurança Nacional”, segundo a AFP.
As “bunker busters” são as únicas bombas aéreas com capacidade de destruir Fordow. Com revestimento de aço reforçado, penetram até 60 metros no solo antes de explodir.
Apesar de pedidos de Israel, os EUA se recusaram a repassar essa arma, que consideram um recurso exclusivo de dissuasão. Israel tem caças, mas não bombardeiros capazes de transportá-las.
Israel iniciou sua campanha aérea contra o Irã em 13 de junho, alegando que Teerã estaria perto de fabricar uma bomba nuclear — acusação negada por autoridades iranianas. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones.
O principal alvo israelense é Fordow, instalação subterrânea a cerca de 90 metros de profundidade nas montanhas próximas à cidade de Qom.
Revelada ao público em 2009, a usina é uma das mais estratégicas do programa nuclear iraniano. Projetada para resistir a ataques aéreos, abriga cerca de 3.000 centrífugas IR-1 e já opera também modelos mais avançados, como o IR-6.
Pelo acordo nuclear de 2015, Fordow deveria se tornar um centro de pesquisa científica sob fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Mas, com o agravamento das tensões, o Irã restringiu o acesso de inspetores e aumentou o enriquecimento de urânio.
Em março de 2023, a AIEA detectou material com 83,7% de pureza — próximo dos 90% exigidos para armas nucleares.
Embora o Irã afirme que seu programa tem fins pacíficos e siga sendo signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, EUA, Israel e potências europeias consideram Fordow um ponto crítico.
Na tentativa de conter o conflito, França, Reino Unido, Alemanha e a União Europeia se reuniram na sexta-feira, 20, em Genebra, com o chanceler iraniano, pedindo a retomada das negociações com os EUA.
Teerã respondeu que só dialogará se Israel interromper os ataques. Até agora, não houve acordo.
