Apple estuda ampliar produção de iPhones no Brasil para driblar tarifaço de Trump, diz reportagem

Foto: Jeff Chiu/AP

A Apple está avaliando expandir a montagem de iPhones no Brasil como alternativa para contornar o aumento das tarifas de importação anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A informação é da Exame.

Segundo apurou a publicação, a mudança pode beneficiar o Brasil na cadeia produtiva global da empresa, já que os produtos montados no país enfrentariam tarifas menores — de 10% — em comparação aos produzidos na China ou na Índia.

Atualmente, mais da metade dos iPhones vendidos nos EUA é fabricada na China. Com as novas tarifas, o custo desses aparelhos pode subir até 40% para o consumidor americano.

A Índia, que ganhou importância na estratégia da Apple nos últimos anos, também foi afetada: a partir de 5 de abril, os smartphones produzidos lá passarão a pagar 26% de imposto para entrar nos EUA.

O impacto já se refletiu no mercado financeiro — as ações da Apple caíram mais de 8%, o pior desempenho desde 2020.

Para evitar repassar esses custos aos consumidores ou reduzir suas margens de lucro, a empresa considera acelerar planos de diversificação produtiva, que já vinham sendo estudados desde o ano passado.

No Brasil, a parceira Foxconn, em Jundiaí (SP), monta os modelos base do iPhone 13, 14 e 15, e recentemente recebeu autorização da Anatel para fabricar também o iPhone 16.

Por enquanto, apenas as versões padrão estão homologadas no país; os modelos avançados, como o iPhone 16 Pro e Pro Max, continuam sendo importados.

A produção local opera sob regime especial de impostos, mas até hoje isso não resultou em quedas expressivas no preço final dos iPhones no Brasil.

Desta vez, o foco da Apple seria diferente: utilizar o Brasil como ponto estratégico de exportação para os EUA, aproveitando as tarifas reduzidas.

Segundo analistas ouvidos pela Exame e pela Counterpoint Research, essa movimentação pode representar uma rara oportunidade para o Brasil se destacar na cadeia global da Apple.

A decisão final, no entanto, dependerá da capacidade da fábrica brasileira em atender à demanda com eficiência e controle de qualidade. Procurada, a Apple não quis comentar o assunto.

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