Tarifaço de Trump derruba dólar e bolsas nos EUA, Europa e Ásia; Ibovespa se sustenta

Os mercados financeiros globais enfrentam um dia de forte queda nesta quinta-feira, 3, após o anúncio das tarifas recíprocas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A elevação dos custos de importação deve encarecer produtos e insumos essenciais para a economia americana, pressionando a inflação, reduzindo o consumo e podendo levar a uma desaceleração econômica.
Como reflexo, o dólar opera em queda de quase 2% no índice DXY – sua menor cotação desde setembro do ano passado.
Nos EUA, as bolsas despencavam no início da tarde. Por volta das 12h (horário de Brasília), o Dow Jones caía 3,73%, o Nasdaq 100 recuava 4,92%, o Nasdaq registrava baixa de 5,60% e o S&P 500 caía 4,29%.
Na Europa, o índice Euro Stoxx 50, que reúne as 50 principais empresas do continente, caía cerca de 3,60%, com os mercados da Alemanha, França e Holanda entre os mais afetados.
O DAX alemão recuava 2,94%, o CAC 40 francês caía 3,33% e o AEX holandês perdia 2,86%. O FTSE 100 do Reino Unido caía 1,16% após a imposição de uma tarifa de 10% sobre seus produtos. Já a Suíça, atingida por uma taxa de 31%, via seu índice SMI desvalorizar 2,12%.
Na Ásia, o impacto também foi severo. Os mercados fecharam em baixa, com o Hang Seng de Hong Kong recuando 1,52%, o Nikkei 225 do Japão perdendo 2,73% e o Kospi da Coreia do Sul caindo 0,76%.
A China, segunda maior economia do mundo, teve seus produtos tarifados em 34%. Outros países da região sofreram ainda mais, com tarifas de 46% para o Vietnã, 37% para Bangladesh e 36% para a Tailândia.
No Brasil, no entanto, o cenário era diferente. Às 13h30, o dólar caía 1,76%, sendo negociado a R$ 5,5985, enquanto o Ibovespa subia 0,04%, alcançando 131.241 pontos e destoando da tendência global.
Especialistas apontam que a tarifa de 10% imposta ao Brasil é menor do que a aplicada a outros países, o que pode abrir novas oportunidades para exportadores brasileiros.
Trump detalhou que as tarifas recíprocas, prometidas desde o início de seu mandato, serão equivalentes a pelo menos metade das taxas que os países de origem aplicam sobre produtos americanos.
A Ásia e o Oriente Médio foram os mais penalizados, com tarifas superiores a 40% em alguns casos. A Europa também sofreu impacto significativo, e Trump justificou a medida alegando que os comerciantes europeus são “muito duros”. O Brasil, por outro lado, recebeu uma das tarifas mais baixas, de 10%.
Chamando o anúncio de “Dia da Libertação”, Trump defendeu que as novas tarifas irão “libertar” os EUA da dependência de produtos estrangeiros.
No entanto, analistas alertam que o protecionismo pode prejudicar tanto os consumidores americanos, que pagarão mais caro por produtos importados, quanto os fabricantes do país, que perderão competitividade no mercado global.