Brasil conduziu ação hacker contra o Paraguai; governo Lula nega envolvimento e responsabiliza gestão Bolsonaro

Sede da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), em Brasília - Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) investiga se um ataque hacker autorizado pelo governo brasileiro contra o Paraguai teve caráter ilegal. A informação foi divulgada pelo jornalista Aguirre Talento, no UOL.

De acordo com a reportagem, o planejamento da operação começou ainda no governo de Jair Bolsonaro, mas foi executado sob autorização do atual diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

O ataque teve como alvo computadores de autoridades paraguaias, com o objetivo de acessar informações sigilosas sobre a negociação das tarifas da usina hidrelétrica de Itaipu.

Dois agentes da Abin confirmaram a existência da ação em depoimentos à PF. Segundo eles, o ataque hacker capturou dados de diversas autoridades paraguaias e ocorreu meses antes de o Brasil fechar um novo acordo sobre os valores pagos ao Paraguai pela energia vendida ao país, em maio de 2024.

No entanto, não há comprovação de que as informações obtidas tenham sido usadas para beneficiar o Brasil na negociação.

A operação envolveu o uso do software Cobalt Strike, uma ferramenta utilizada para invasões cibernéticas. Segundo um dos agentes envolvidos, os ataques não foram lançados a partir do Brasil.

Em vez disso, agentes da Abin realizaram três viagens ao Chile e ao Panamá para montar servidores virtuais, de onde foram conduzidas as invasões. Os sistemas do Congresso, Senado, Câmara e Presidência do Paraguai teriam sido comprometidos.

Os depoimentos indicam que o plano foi inicialmente aprovado pelo então diretor da Abin, Victor Carneiro, que assumiu o cargo no fim do governo Bolsonaro após a saída de Alexandre Ramagem.

No entanto, a operação também teria recebido aval dos diretores seguintes, incluindo Luiz Fernando Corrêa, atual chefe da agência.

Em nota oficial, o atual governo brasileiro negou qualquer envolvimento na espionagem contra autoridades paraguaias.

O comunicado afirma que a decisão de suspender a operação foi tomada em 27 de março de 2023, pelo então diretor interino da Abin, antes da posse de Luiz Fernando Corrêa, que só assumiu o comando da agência dois meses depois, em 29 de maio, após aprovação pelo Senado.

O governo do Presidente Lula reitera seu compromisso com o respeito e o diálogo transparente como elementos fundamentais nas relações diplomáticas com o Paraguai e com todos seus parceiros na região e no mundo”, declarou o Itamaraty, reforçando os laços históricos entre os dois países e a parceria no Mercosul.

Íntegra da nota do governo brasileiro:

O governo do Presidente Lula desmente categoricamente qualquer envolvimento em ação de inteligência, noticiada hoje, contra o Paraguai, país membro do Mercosul com o qual o Brasil mantém relações históricas e uma estreita parceria. A citada operação foi autorizada pelo governo anterior, em junho de 2022, e tornada sem efeito pelo diretor interino da ABIN em 27 de março de 2023, tão logo a atual gestão tomou conhecimento do fato.

O atual diretor-geral da ABIN encontrava-se, naquele momento, em processo de aprovação de seu nome no Senado Federal, e somente assumiu o cargo em 29 de maio de 2023.

O governo do Presidente Lula reitera seu compromisso com o respeito e o diálogo transparente como elementos fundamentais nas relações diplomáticas com o Paraguai e com todos seus parceiros na região e no mundo.

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