Bolsas americanas têm forte queda após Trump não descartar recessão nos EUA

Os principais índices acionários dos Estados Unidos despencaram nesta segunda-feira, 10, em meio a temores de investidores sobre uma possível recessão na maior economia do mundo.
A queda ocorreu após o presidente Donald Trump, em entrevista à Fox News no domingo, 9, evitar descartar esse cenário e minimizar as oscilações do mercado diante de sua política tarifária.
Trump evitou fazer previsões sobre uma recessão e afirmou que as mudanças em curso demandam tempo.
“Eu odeio prever coisas assim [recessão]. Há um período de transição, porque o que estamos fazendo é muito grande. Estamos trazendo riqueza de volta para a América. Isso é uma grande coisa. E sempre há períodos de — leva um pouco de tempo. Leva um pouco de tempo, mas acho que deve ser ótimo para nós”, declarou.
O republicano também defendeu uma visão econômica de longo prazo:
“Se você olhar para a China, eles têm uma perspectiva de 100 anos. Temos um trimestre. Nós seguimos por trimestres. E você não pode seguir isso. Você tem que fazer o que é certo. Estamos construindo uma base tremenda para o futuro.”
Os mercados reagiram com forte queda.
O S&P 500 recuou 2,69%, fechando em 5.614,99 pontos, enquanto o Nasdaq despencou 3,99%, para 17.470,21 pontos. O Dow Jones caiu 2,08%, encerrando o pregão em 41.911,09 pontos.
Para Paula Zogbi, gerente de research da Nomad, os mercados globais seguem apreensivos com os rumos da política econômica trumpista e seus possíveis impactos.
“A administração Trump, que no mandato anterior se mostrou profundamente conectada com os movimentos de Wall Street, deixou bem claro que, desta vez, não tem como prioridade manter o mercado sob controle no curto prazo”, avaliou.
O pessimismo também se refletiu nos indicadores de risco.
O chamado “Índice do Medo”, que mede a demanda por proteção entre investidores no mercado de opções, atingiu seu nível mais alto desde dezembro.
Segundo Zogbi, a bolsa americana, que inicialmente teve um rali de otimismo após a vitória de Trump, já devolveu todos os ganhos registrados desde a posse.