Macron defende usar arsenal nuclear da França para defender aliados na Europa contra ameaça russa

Presidente da França, Emmanuel Macron - Foto: YouTube/@EmmanuelMacron

Em um pronunciamento televisionado nesta quarta-feira, 5, o presidente da França, Emmanuel Macron, classificou a Rússia como uma ameaça à Europa e defendeu a união do continente em apoio à Ucrânia.

Ele também afirmou que discutirá com líderes europeus a possibilidade de disponibilizar o arsenal nuclear francês como força de dissuasão. “A ameaça russa existe e afeta os países da Europa“, declarou Macron.

O presidente francês alertou que Moscou segue se rearmando e, até 2030, “planeja aumentar ainda mais seu Exército, para ter mais 300 mil soldados, 3.000 tanques e mais 300 aviões de caça“.

Diante desse cenário, Macron sugeriu a colocação do arsenal nuclear da França à disposição dos aliados europeus para conter um possível avanço expansionista do presidente russo, Vladimir Putin. “Respondendo ao chamado histórico do futuro chanceler alemão [Friedrich Merz], decidi abrir o debate estratégico sobre a proteção de nossos aliados no continente europeu por meio de nossa dissuasão (nuclear). Aconteça o que acontecer, a decisão sempre esteve e permanecerá nas mãos do Presidente da República, chefe das Forças Armadas.

O presidente francês também criticou a gestão de Donald Trump pelo alinhamento a Moscou e pela guerra tarifária imposta contra aliados como o Canadá.

Segundo Macron, a postura norte-americana gera incertezas sobre o compromisso dos EUA com o Ocidente.

Quero acreditar que os Estados Unidos permanecerão ao lado das potências ocidentais, mas é preciso estar pronto se esse não for o caso“, afirmou.

Ele ainda classificou como “incompreensível” a decisão de Trump de iniciar uma guerra tarifária contra aliados, prometendo resposta à taxação sobre produtos europeus.

Macron reforçou que a Europa deve tomar as rédeas do próprio destino. “O futuro da Europa não precisa ser decidido em Washington ou Moscou. E sim, a ameaça volta a vir do Leste e a inocência, por assim dizer, dos últimos 30 anos, desde a queda do Muro de Berlim, acabou agora.

Desde a saída do Reino Unido da União Europeia, a França é o único país do bloco com arsenal nuclear, o que fortalece seu papel estratégico na defesa continental.

A guerra entre Rússia e Ucrânia teve início em fevereiro de 2022, quando tropas de Moscou lançaram uma ofensiva por terra, mar e ar para ocupar territórios no leste ucraniano.

O conflito remonta a 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia e passou a apoiar separatistas no Donbas, região onde grande parte da população se identifica com Moscou.

Desde então, a Ucrânia tem sido liderada por governos pró-Europa, como os de Petro Poroshenko e Volodymyr Zelensky. Em resposta à invasão russa, a Europa tem fornecido apoio militar a Kiev para conter o avanço das tropas de Putin.

Os EUA também eram aliados de primeira hora da Ucrânia durante a administração Biden. No entanto, com a posse de Trump, a Casa Branca se reaproximou de Putin e chegou a discutir um acordo para encerrar a guerra sem a participação de representantes de Kiev.

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