Em reunião com Lula e sem Haddad, ministros culpam a Fazenda pela queda de popularidade do governo

No domingo, 16, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu na Granja do Torto com ministros para discutir a queda de sua popularidade, que atingiu os níveis mais baixos. Durante o encontro, foi apresentado o diagnóstico de que as ações mais prejudiciais ao governo foram medidas adotadas pelo Ministério da Fazenda, sob a chefia de Fernando Haddad.
A informação foi divulgada pelas jornalistas Andréia Sadi e Julia Duailibi no portal G1.
Haddad não esteve presente na reunião, pois está em visita ao Oriente Médio desde o dia 14 de fevereiro, com retorno previsto para a próxima quinta-feira, 20.
Entre os participantes do encontro estavam: Alexandre Padilha (Relações Institucionais), Rui Costa (Casa Civil), Sidônio Palmeira (Comunicação), a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, cotada para assumir a vaga de Márcio Macedo na Secretária-geral, e Alexandre Silveira (Minas e Energia). Também marcaram presença o ministro da Educação, Camilo Santana, e o senador Jaques Wagner (PT-BA).
O diagnóstico, conforme apurado pelo G1, aponta que as crises da “blusinha” (em 2023) e do Pix (no final de 2024) foram os principais fatores que prejudicaram a imagem do governo, com grande repercussão nas redes sociais e fora delas.
Ambas as medidas foram elaboradas pela equipe técnica do Ministério da Fazenda, especialmente pela Receita Federal, e chanceladas por Haddad.
Além dessas crises, também foi discutida a inflação dos alimentos, que representa o terceiro ponto de desgaste, e o fortalecimento do dólar, causado por fatores internos e externos.
Nos bastidores, desde o início do governo, há uma disputa entre Haddad e um grupo no Planalto liderado por Rui Costa, que pressiona pela saída do ministro da Fazenda e de alguns de seus auxiliares.
Decisões como a revogação da fiscalização do Pix, em 15 de janeiro, e o anúncio simultâneo do plano de corte de gastos e da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil resultaram em uma derrota para Haddad. O ministro, que era contra o anúncio duplo, foi voto vencido e teve que ser ele a divulgar as medidas.
Esse cenário indica que Lula tem se alinhado mais com Rui Costa do que com Haddad. O chefe da Casa Civil, inclusive, foi central na defesa da revogação da portaria que ampliava a fiscalização do Pix.
Aliados de Haddad, por outro lado, argumentam que ele tem cumprido suas funções na agenda econômica, mas se vê sozinho na defesa de um ajuste fiscal.