Zelensky defende criação de um ‘exército europeu’ e alerta que apoio garantido dos EUA ao continente acabou

Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky - Foto: Sven Hoppe/Pool via Reuters

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, alertou que os dias de apoio garantido dos Estados Unidos à Europa chegaram ao fim.

Durante a Conferência de Segurança de Munique, realizada entre 14 e 16 de fevereiro, ele pediu a união do continente para a criação de um exército e de uma política externa conjunta: “Eu realmente acredito que chegou o momento — as forças armadas da Europa devem ser criadas.

Zelensky também criticou negociações feitas sem a participação ucraniana, referindo-se ao recente acordo entre os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da Rússia, Vladimir Putin, para iniciar um processo de paz.

Nosso país nunca aceitará acordos feitos às nossas costas sem a nossa participação“, afirmou.

No mesmo evento, o vice-presidente americano, JD Vance, reforçou a necessidade de uma resposta europeia mais ativa na defesa do continente. “A Europa precisa agir de forma significativa“, disse ele em um discurso na sexta-feira, 15, no qual também criticou as democracias europeias.

Zelensky comentou a declaração: “Ontem, aqui em Munique, o vice-presidente dos EUA deixou claro que décadas da antiga relação entre a Europa e a América estão terminando. A partir de agora, as coisas serão diferentes, e a Europa precisa se ajustar a isso.

O conceito de um exército europeu não é novo. Líderes como o presidente da França, Emmanuel Macron, já defenderam a ideia para reduzir a dependência militar do continente em relação aos EUA.

Na manhã deste sábado, Zelensky reforçou a necessidade dessa iniciativa: “Vamos ser honestos. Agora não podemos descartar a possibilidade de que a América possa dizer não à Europa em uma questão que a ameace. Muitos líderes já falaram sobre a necessidade de um exército próprio para a Europa.

Enquanto a invasão em grande escala da Rússia contra a Ucrânia se aproxima do terceiro aniversário, Trump e o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, indicaram que a entrada de Kiev na Otan é improvável.

Hegseth ainda afirmou que um retorno às fronteiras ucranianas anteriores a 2014 seria “irrealista”. Apesar disso, Zelensky reafirmou sua posição: “Não retirarei a adesão da Ucrânia à Otan da mesa“.

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