Brasileiros deportados dos EUA dizem ter sido agredidos por agentes americanos durante voo de repatriação

Lesões que brasileiros teriam sofrido de agentes americanos durante voo de deportação dos EUA - Foto: Reprodução/UOL

Brasileiros deportados dos Estados Unidos denunciaram na noite deste sábado, 25, agressões por parte de agentes americanos durante o voo de repatriação até Manaus, no Amazonas.

A aeronave fez uma primeira parada no Panamá, onde os migrantes relataram dificuldades devido à falha em um dos motores.

Durante a espera para o reparo, o ar-condicionado foi desligado, o que causou falta de ar e mal-estar, especialmente entre mulheres e crianças.

Eles também foram impedidos de sair do avião e de ir ao banheiro, além de enfrentarem dificuldades para se alimentar e beber água.

Luiz Fernando Caetano Costa, 38, que estava nos EUA há um ano e meio, relatou: “Eu não fui agredido, mas os meninos foram. Eles estavam algemados, meteram o porrete neles sem dó. Desumano. Chutes, jogando os moleques no chão. Em um deles, um cara deu um mata-leão.

Além disso, Mario Henrique Andrade Mateus, 41, que ficou três meses detido na imigração americana, afirmou: “Alguns rapazes mais novos começaram a ver as crianças passando mal, eles estavam falando para tirar as crianças. Os agentes dos EUA não queriam deixar a gente sair. Agrediram um dos meninos, derrubaram ele no chão e deram um chute nele.

Após a chegada à Manaus, na sexta-feira, 24, a Polícia Federal (PF) brasileira entrou na aeronave e retirou os migrantes, liberando as algemas.

Mario Henrique também relatou: “Após a chegada da Polícia Federal, depois de muita discussão, muita briga, com a presença da PF, eles não queriam deixar a gente descer. E quando aceitaram, eles queriam tirar as algemas para que a Polícia Federal não visse que nós estávamos algemados em território brasileiro.

O governo brasileiro, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), foi responsável pela repatriação até Belo Horizonte, onde os deportados chegaram neste sábado.

O Itamaraty, por sua vez, anunciou que pedirá explicações ao governo de Donald Trump sobre o tratamento dispensado aos passageiros.

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se em Manaus com o delegado Sávio Pinzón, superintendente interino da PF no Amazonas, e com o major-brigadeiro Ramiro Pinheiro, comandante do 7º Comando Aéreo Regional“, informou a pasta.

No aeroporto de Confins, os deportados relataram os momentos difíceis durante a viagem.

Nós não aceitamos isso e começou um novo atrito, até que o delegado da Polícia Federal, o superintendente-geral, conseguiu entrar na aeronave. Forçou lá e conseguiu entrar e obrigou a retirada da gente de dentro da aeronave e deu todo o suporte necessário para nós“, contou Mario Henrique.

Carlos Vinicius de Jesus, 29, acrescentou: “Os oficiais de migração bateram em nós, falaram que iam derrubar o avião, que nosso governo não era de nada. A gente que se rebelou, iam nos matar. Eles falaram que se eles quisessem, eles fechavam a porta da aeronave e matavam todos nós.

Marcos Vinicius Santiago de Oliveira, 38, confirmou as agressões a outros deportados e falou sobre a pane no avião: “Quando parou no Panamá, o avião não queria funcionar. Estava muito ruim de funcionar, depois funcionou. Mas a gente ficou horas sem ar condicionado e algemado. Era horrível. Até para ir no banheiro, para beber água, aquilo era difícil. Depois que [o voo] chegou a Manaus foi isso, foi abastecer e não funcionou mais o avião. Alguma turbina não estava funcionando. A gente viu fumaça em uma turbina. Todo mundo ficou com medo, apavorado. E aí a gente ficou horas e horas lá, sem respirar, tudo fechado.

A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, declarou no aeroporto de Confins:

A grande questão é que os países têm suas políticas imigratórias, mas as suas políticas imigratórias não podem violar os direitos humanos. O Brasil sempre tratou com muito respeito toda a população, tanto refugiados que chegam no Brasil, quanto pessoas que nós temos que repatriar. As denúncias das pessoas que chegaram, elas são muito graves de violação [de direitos].

Ela também reforçou que Lula orientou a recepção dos migrantes.

Assista abaixo os relatos em vídeo:

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