Gabriel Galípolo, futuro presidente do BC, diz não ver ‘ataque especulativo’ contra o real

O futuro presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, que assumirá o cargo em janeiro de 2025, afirmou nesta quinta-feira, 19, que o termo “ataque especulativo” não reflete adequadamente o comportamento atual do mercado.
Não é correto tentar tratar o mercado como um bloco monolítico, uma coisa só, coordenada. Mercado funciona geralmente com posições contrárias, tem alguém comprando e alguém vendendo. Quando o preço de ativo [como o dólar] se mobiliza em uma direção, têm vencedores e perdedores. Ataque especulativo não representa bem como o movimento está acontecendo no mercado hoje — declarou Galípolo.
As declarações foram dadas durante uma entrevista coletiva sobre o relatório de inflação do quarto trimestre de 2024, em Brasília.
Na quarta-feira, 18, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, foi questionado sobre a possibilidade de um ataque especulativo contra o real, motivado pela recente disparada do dólar. Ele afirmou que não descartava essa hipótese.
Para conter a alta da moeda americana, o Banco Central realizou intervenções nos últimos dias, incluindo a venda de dólares no mercado à vista e os chamados leilões de linha, que funcionam como empréstimos, com compromisso de recompra.
Apesar das ações, o dólar continua sob pressão, em meio à expectativa dos analistas pelo andamento do pacote de cortes de gastos no Congresso Nacional.
Nesta quinta, após atingir o recorde de R$ 6,30 por volta das 10h10, a moeda passou a operar em queda.